27 de abril de 2013 | Convivendo com o Câncer, Na mídia | câncer câncer cervical combate ao câncer informações mulheres

Câncer cervical

O câncer do colo do útero se desenvolve a partir de alterações no colo do útero, que se localiza no fundo da vagina.

Jornal Momento Atual – Sertãozinho, 27/28 de abril de 2013- Edição 1435.

 

O câncer do colo do útero, também chamado de cervical, se desenvolve a partir de alterações no colo do útero, que se localiza no fundo da vagina. Essas alterações são chamadas de lesões precursoras e são completamente curáveis na maioria das vezes. Se não tratadas, podem se transformar em câncer no decorrer de alguns anos.

É o segundo câncer mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama, e a quarta causa de morte de mulheres por doenças malignas no Brasil. Por ano, faz 4.800 vítimas fatais e sendo sua incidência anual estimada em 18.430 casos novos. Prova de que o país avançou na sua capacidade de realizar diagnóstico precoce é que na década de 1990, 70% dos casos diagnosticados eram da doença invasiva. Ou seja: o estágio mais agressivo da doença.

Atualmente, 44% dos casos são lesões precursoras do câncer invasor, as chamadas lesões in situ. Mulheres afetadas, diagnosticadas precocemente e tratadas de modo adequado, têm praticamente 100% de chance de cura.
As alterações das células que podem desencadear o câncer são descobertas facilmente no exame preventivo (conhecido também como Papanicolaou), por isso é importante a sua realização periódica. Lesões precursoras ou o próprio câncer cervical em estágio inicial não apresentam sinais ou sintomas. Já a doença avançada pode se manifestar com sangramento vaginal, sangramento pós coito, corrimento e dor, nem sempre nessa ordem. O exame preventivo deve ser feito preferencialmente pelas mulheres na faixa etária entre 25 e 64 anos, que têm ou já tiveram atividade sexual. As duas primeiras coletas de material, realizadas através de exames ginecológico, devem ser feitas com intervalo de um ano e, se os resultados forem normais, o exame passará a ser realizado a cada três anos.

A principal alteração que pode levar a esse tipo de câncer é a infecção pelo papilomavírus humano, o HPV, com alguns subtipos de alto risco relacionados a tumores malignos. Os HPV são vírus capazes de infectar a pele ou as mucosas. Existem mais de 100 tipos diferentes de HPV, sendo que cerca de 40 tipos podem infectar o trato ano-genital.
A infecção pelo HPV é muito frequente, mas transitória, regredido espontaneamente na maioria das vezes. No pequeno número de casos nos quais a infecção persiste e, especialmente, é causada por um tipo viral oncogênico (com potencial para causar câncer), pode ocorrer o desenvolvimento de lesões precursoras, que se não forem identificadas e tratadas podem progredir para o câncer, principalmente no colo do útero, mas também na vagina, vulva, ânus, pênis, orofaringe e boca.

Pelo menos 13 tipos de HPV são considerados oncogênicos, apresentando maior risco ou probabilidade de provocar infecções persistentes e estar associados a lesões precursoras. Dentre os HPV de alto risco oncogênico, os tipos 16 e 18 estão presentes em 70% dos casos de câncer do colo do útero.

Já os HPV 6 e 11, encontrados em 90% dos condilomas genitais e papilomas laríngeos, são considerados não oncogênicos.

Aproximadamente 291 milhões de mulheres no mundo são portadoras do HPV, sendo que 32% estão infectadas pelos tipos 16, 18 ou ambos. Comparando-se esses dados com a incidência anual de aproximadamente 500 mil casos de câncer de colo do útero, conclui-se que o câncer é um desfecho raro, mesmo na presença da infecção pelo HPV. Ou seja, a infecção pelo HPV é um fator necessário, mas não suficiente, para o desenvolvimento do câncer do colo do útero.

Outros fatores que aumentam o risco de uma mulher desenvolver o câncer cervical estão ligados à imunidade, à genética e ao comportamento sexual que parecem influenciar os mecanismos ainda incertos que determinam a regressão ou a persistência da infecção pelo HPV e também a progressão para lesões precursoras ou câncer. Desta forma, o tabagismo, o início precoce da vida sexual, o número elevado de parceiros sexuais, partos traumáticos sem assistência médica, o uso de pílula anticoncepcional e a imunossupressão (causada por infecção por HIV ou uso de imunossupressores) são considerados fatores de risco para o desenvolvimento do câncer do colo do útero. A idade também interfere nesse processo, sendo que a maioria das infecções por HPV em mulheres com menos de 30 anos regride espontaneamente, ao passo que acima dessa idade a persistência é mais frequente.

Como pudemos ler, apesar de muitos fatores facilitadores, ainda paira sobre o diagnóstico do câncer cervical, o estigma de ser mais frequente em países ou regiões mais pobres, onde a educação sanitária ainda não foi incutida na população mais carente. Cabe a todos, profissionais de saúde e poderes políticos, priorizar o conhecimento básico de prevenção do câncer cervical, principalmente nas populações de risco. Prevenir, ainda é o melhor tratamento.
Carla Libralli Tostes dos Santos- É Supervisora Clinica do Instituto Oncológico de Ribeirão Preto (InORP) e Mestre e Especialista em Enfermagem Oncológica.

Autor: Carla Libralli Tostes dos Santos


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