24 de novembro de 2012 | Artigos Científicos | combate ao câncer Dr. Aurélio Julião enfermagem farmácia informações medicamentos pacientes prevenção tratamento

Análise do índice de extravasamento e cuidados de Enfermagem em uma clínica privada

Extravasamento é a infiltração ou escape de drogas de vasos sanguíneos para tecidos circunjacentes à área puncionada.

Congresso de Cancerologia – CONCAN. Dias 24 à 27/11/12, Fortaleza-CE.

 

Introdução:
Extravasamento é a infiltração ou escape de drogas de vasos sanguíneos para tecidos circunjacentes à área puncionada. Pacientes submetidos a tratamento oncológico necessitam de acesso venoso que permita a infusão segura de drogas quimioterápicas. Pode ser uma complicação grave e a morbidade depende da droga, quantidade extravasada, concentração, localização, condições clínicas do paciente e intervalo entre o fato e o reconhecimento. Seus efeitos tóxicos locais variam podendo causar dor e necrose tissular. A frequência desse evento em adultos é estimada entre 0,5% e 6%, sendo maior entre crianças. As drogas antineoplásicas são classificadas de acordo com o potencial agressivo aos vasos e tecidos em vesicantes e irritantes. Os quimioterápicos vesicantes são responsáveis pelas reações mais graves, pois provocam irritação severa com formação de vesículas e destruição tecidual quando extravasados. Os quimioterápicos irritantes, provocam reação cutânea menos intensa, como dor e queimação, sem necrose tecidual ou formação de vesículas. A melhor conduta é a prevenção. Para tanto, a equipe de enfermagem deve ser amplamente treinada de modo a conhecer os locais apropriados para venopunção, material indicado, comprovação do acesso venoso, método de infusão correto e, observar as queixas, sinais e sintomas do paciente, tais como: dor local, queimação, vermelhidão, edema, ausência de retorno sanguíneo e diminuição do gotejamento e encorajar o paciente a reportar imediatamente qualquer anormalidade.

Objetivo:
Avaliar retrospectivamente o índice de extravasamento em uma clínica Oncológica no interior do Estado de São Paulo no período de janeiro de 2009 a maio de 2012 em um total de 41 meses.

Material e Método:
Estudo retrospectivo descritivo do número de extravasamentos ocorridos no período de janeiro de 2009 a maio de 2012, através de análise dos formulários de notificação de extravasamentos. A coleta de dados se baseou na análise do indicador anual de índice de extravasamento e número de drogas vesicantes e irritantes administradas no período.

Resultados:
Foram administradas 344 drogas vesicantes e 4432 drogas irritantes no período, total de 4776 drogas infundidas. Verificou-se apenas 2 (%) extravasamentos com drogas irritantes: Irinotecano(1) e Gemcitabina (1) em acesso venoso periférico e 1 extravasamento de droga vesicante Epirrubicina em cateter venoso central tipo port-cath. A taxa de extravasamento nesse período foi de 0,06%. Após ocorrência do extravasamento e sua identificação, foram realizadas ações imediatas seguindo a aplicação do protocolo da Instituição e seguimento em domicílio. Não houve evolução para lesão em nenhum dos casos.

Conclusão:
Para prevenir o extravasamento, os cuidados aos pacientes são realizados por enfermeiras treinadas e habilitadas, adesão aos protocolos totalmente padronizados, utilização de cateter intravenoso periférico de Vialon, análise rigorosa das condições do acesso venoso periférico de acordo com o tipo de droga a ser infundida, e, se necessário, encaminhamento para implantação de cateter venoso central, e observação constante do local da punção durante a administração das drogas. Tais cuidados asseguram o baixo índice de extravasamento inferior ao relatado em literatura. A detecção precoce e intervenção imediata da enfermagem, associada ao protocolo da Instituição, proporciona melhor qualidade da assistência, previne futuras complicações e evita interrupção do tratamento.

 

Autores: Ana Paula Araki, Rebeca Oliveira Leite Silva, Poliana Carina Paolini, Carla Libralli Tostes dos Santos, Flávia Alves de Toledo Branquinho, Rita de Cássia Lima, Evelin Bueno, Diocésio Alves Pinto de Andrade, Aurélio Julião de Castro Monteiro


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