14 de abril de 2015 | Indicadores de Desempenho, Nossos Resultados | câncer câncer colorretal combate ao câncer oncologia

Câncer colorretal: Análise de sobrevida

O câncer colorretal abrange tumores que acometem um segmento do cólon e reto, podendo ser curável na maioria dos casos.

Introdução

O câncer colorretal abrange tumores que acometem um segmento do cólon e reto, podendo ser curável na maioria dos casos, se detectado precocemente.1

De acordo com Cancer.Net, o câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais comum entre homens e mulheres nos Estados Unidos, sendo também a terceira causa de morte por câncer entre homens e mulheres separadamente.2

Segundo o relatório do INCA, para 2012, foram estimados mais de trinta mil novos casos de câncer colorretal e mais de treze mil mortes por este tipo de câncer.1

As taxas de sobrevida para o câncer colorretal podem variar de acordo com diversos fatores, principalmente o estadiamento. Se o câncer é detectado precocemente, a taxa de sobrevida em cinco anos é de 90%. Se o câncer é diagnosticado quando os linfonodos regionais já estão comprometidos, a taxa de sobrevida em cinco anos cai para 70%, enquanto que se já existem metástases no momento do diagnóstico, a sobrevida em cinco anos é de 12%.2

Embora seja mais prevalente na sexta e sétima décadas de vida, o câncer colorretal também poderá ser detectado na população com menos de 40 anos.3

A causa do câncer colorretal é desconhecida, mas certos fatores de risco parecem aumentar o risco de desenvolvimento desta doença, como por exemplo:

– Idade: o risco do desenvolvimento do câncer aumenta conforme o envelhecimento, sendo que 90% dos casos aparecem em pessoas acima dos 50 anos. Casos em adultos com idade abaixo de 50 anos são incomuns e podem estar associados a síndromes genéticas familiares,4

– História familiar de câncer: o câncer colorretal tem maior probabilidade de acometer pessoas que possuem parentes que já apresentaram a doença,

– Histórico de doença inflamatória intestinal: pessoas com histórico de doença de Crohn ou colite ulcerativa podem desenvolver inflamações crônicas, o que favorece o aparecimento do câncer colorretal,4

– Presença de pólipos adenomatosos (adenomas): pessoas que apresentam pólipos benignos tem maior probabilidade de desenvolver câncer colorretal.

– Etnia: pessoas negras tem as maiores incidências de câncer colorretal não hereditário

– Obesidade: pessoas acima do peso estão mais predispostas a desenvolver o câncer.

– Tabagismo: fumantes apresentam maior chance de desenvolver o câncer colorretal do que não-fumantes.2

Alguns fatores estão relacionados com o prognóstico e curso da doença, influenciando no tempo de sobrevida. Por exemplo, há controvérsias sobre a possibilidade de indivíduos com idade inferior a 40 anos apresentem tumores mais indiferenciados e agressivos, porém os tempos de sobrevida observados são semelhantes.4 Geralmente, pacientes mais jovens apresentam-se com doença avançada ao diagnóstico, o que pode levar a um pior prognóstico.3,4

O tipo histológico da neoplasia também é fator relevante no prognóstico. O adenocarcinoma mucinoso e o adenocarcinoma com componente mucinoso intermediário apresentam características clínico-patológicas diferentes do adenocarcinoma não-mucinoso, podendo levar a sobrevidas livres de doença piores, implicando em um prognóstico ruim, principalmente se detectados em estadiamentos avançados.6

Dentro deste contexto, procurou-se conhecer aspectos importantes de relevância clínica, bem como o tempo de sobrevida de pacientes com câncer colorretal em um instituto oncológico (InORP-Ribeirão Preto, SP), com atribuições de assistência e pesquisa, considerando as variáveis mais importantes atribuídas a este tipo de câncer.

 

Objetivo

Geral:

Avaliar o tempo de sobrevida de pacientes com câncer colorretal, por meio de variáveis demográficas (sexo e idade), estadiamento, antecedente familiar e tabagismo.

Específicos:

– Descrever o perfil demográfico e clínico dos pacientes,
– Comparar os subgrupos de cada variável analisada.

 

Metodologia

Delineamento do estudo

Tratou-se de um estudo do tipo coorte retrospectiva, sendo as informações (exposição e desfecho) coletadas em prontuários clínicos de pacientes com câncer cuja localização primária é o cólon e reto.

População do estudo

Constituída por 79 pacientes de ambos os sexos com diagnóstico de câncer colorretal confirmado por exame de anatomia patológica, em tratamento no InORP (Instituto Oncológico de Ribeirão preto, Ribeirão Preto, SP, Brasil), sob acompanhamento regular. Para estes pacientes, foram obtidos os respectivos prontuários para a coleta das informações de interesse.

Variáveis estudadas

As variáveis de estudo consideradas foram as seguintes:
– sexo
– idade (na data do diagnóstico)
– tabagismo
– antecedente familiar
– estadio
-tempo do paciente: data da primeira observação (manifestação clínica ou primeira consulta ou início do tratamento) e data da última observação (data do óbito registrada no prontuário ou a última data que o paciente esteve no consultório).
– desfecho de interesse: tempo de sobrevida, em anos
Tempo de sobrevida: definido como tempo decorrido entre a data da primeira consulta e a data da última observação.

Questionário e prova-piloto

Foram tomados 30 prontuários para elaboração do questionário a ser preenchido para obtenção das informações de interesse. Após preenchimento destes questionários, os dados foram transmitidos para planilha específica.

Delineamento estatístico

A análise dos resultados foi feita a partir da transferência direta dos dados da planilha em Excel ao programa Stata 11.0 para análise descritiva e confecção de tábuas de sobrevida.

Para o cálculo da sobrevida, por ponto e por intervalo de 95% de confiança (IC), em intervalos de 1, 5 e 7 anos, foi adotado o método atuarial, considerando a amostra de pacientes total, bem como as sub-amostras segundo sexo, idade, antecedente familiar e estadiamento da doença.

Comparações entre variáveis categóricas foram feitas por meio do teste de qui- quadrado (χ2), com apresentação tabular e gráfica.

 

Resultados

A descrição da amostra segundo aspectos demográficos consta da tabela a seguir:

Tabela 1. Distribuição dos pacientes segundo sexo e idade. InORP, 2013

 

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Houve um equilíbrio na distribuição dos pacientes entre os dois sexos e houve predomínio da faixa etária de 60-79 anos, correspondendo a 57%.

A maioria não fumava (72%), enquanto os demais haviam abandonado o vício há mais de 5 anos (22%) ou eram fumantes (6%).

Aproximadamente 76% dos pacientes não apresentavam antecedente familiar de câncer colorretal. Quanto a estadiamento da doença, 24% eram do estadio IV, 23% do estadio III, 22% do estadio II, 17% do estadio I e 13% do estadio IIIc.

O tempo médio de sobrevida de pacientes com câncer colorretal foi de, aproximadamente, 660 dias (dp=663 dias), sendo o tempo mediano de 460 dias. Tempos maiores de sobrevida foram 2380 e 2505 dias.
Os tempos médios de sobrevida segundo as variáveis analisadas constam da tabela 2:

Tabela 2. Tempo médio de sobrevida (m) e desvio-padrão (dp) segundo sexo, idade, fumo, estadio e antecedente familiar. InORP, 2013

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A análise descritiva mostrou que pacientes do sexo masculino, na faixa etária de 40-59 anos, no estadio II e sem história familiar de câncer colorretal apresentaram maiores sobrevidas médias. Entre os fumantes, a sobrevida média foi maior, podendo ser considerado como um resultado espúrio; uma vez que apenas 5 pacientes eram fumantes, este achado pode ser visto com reservas, pela pouca representatividade da categoria junto à amostra total.

A sobrevida em 1 ano foi de 86,9% (IC:75,3%-93,2%). Em 5 anos, a sobrevida foi de 50,3% (IC: 31,3% -66,5%). Em 7 anos, a sobrevida encontrada foi 33,5% (IC:8,7% -61,3%).
Em relação às funções de sobrevida para as variáveis de análise, encontrou-se:
– para a variável sexo:

Figura 1. Estimativa de probabilidade de sobrevida de Kaplan-Meier segundo sexo. InORP, 2013

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Apesar de ser visualizado uma sobrevida maior entre as mulheres, a diferença foi estatisticamente não-significante (χ2=2,01; p=0,1567).
– para a faixa etária:

Figura 2. Estimativa de probabilidade de sobrevida de Kaplan-Meier segundo faixa etária (anos). InORP, 2013

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Houve associação não-significativa para a faixa etária (χ2=6,92; p=0,0745), apesar de se observar a queda brusca de sobrevida entre adultos jovens.

– para fumo:

Figura 3. Estimativa de probabilidade de sobrevida de Kaplan-Meier segundo hábito de fumar. InORP, 2013

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Fumantes, não-fumantes e ex-fumantes tiveram comportamento uniforme quanto à sobrevida, pois encontrou-se χ2=1,07 ( p=0,5867).
– para antecedente familiar de câncer colorretal:

Figura 4. Estimativa de probabilidade de sobrevida de Kaplan-Meier segundo antecedente. InORP, 2013

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Houve predomínio de sobrevida entre os pacientes sem antecedente familiar de câncer colorretal, sendo estatisticamente maior do que no grupo com antecedente familiar (χ2=5,31; p=0,0212).
– para estadio:
Figura 5. Estimativa de probabilidade de sobrevida de Kaplan-Meier segundo estadio. InORP, 2013

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Houve diferença significativa entre estadiamento e sobrevida, pois χ2=23,01 (p=0,0001). Pode ser observada sobrevida maior no estadio II e menor no estadio IV.

 

Discussão

Em relação à sobrevida aos 5 anos, encontrou-se um valor de 50,3%. Outro estudo7, entre pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico, encontrou o mesmo resultado para a sobrevida global em 5 anos ( 50,3%) .

 

Conclusões

A sobrevida em 5 anos foi de 50,3%. Alguns fatores exerceram maior impacto na redução da sobrevida de câncer colorretal, tais como ter antecedente familiar da doença e diagnóstico em estadio mais avançado.

 

Referências:

1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA)
Disponível em: (acesso em 17 de abril de 2013)

2. Statistics for Colorectal Cancer
Disponível em: http://www.cancer.net/cancer-types/colorectal-cancer
(acesso em 15 de maio de 2013)

3. Lupinacci RM, Campos FGCM, Araújo SEA, Imperiale AR, Seid VE, Habr-Gama A et al. Análise comparativa das características clínicas, anatomo-patológicas e sobrevida entre pacientes com câncer colo-retal abaixo e acima de 40 anos de idade. Rev Bras Coloproct 2003; 23(3): 155-62

4. Duarte-Franco E, Franco LE. Epidemiologia e Fatores de Risco em Câncer Colorretal. In: Rossi BM, Nakagawa WT, Ferreira FO, Aguiar Jr S, Lopes A. Câncer de colon, reto e ânus. São Paulo: Tecmedd; 2005. p.287-325

5. Neto JDC, Barreto JBP, Freitas NS, Queiroz MA. Câncer colorretal: características clínicas e anatomopatológicas em pacientes com idade inferior a 40 anos. Rev Bras Coloproct 2006; 26(4): 430-35

6. Lee DW, Han SW, Lee HJ, Rhee YY, Bae JM, Cho NY et al. Prognostic implication of mucinous histology in colorectal cancer patients treated with adjuvant FOLFOX chemotherapy. Br J Cancer 2013;108:1978-84.

7. Chiele Neto C, Tarta C. Câncer colorretal. In:Rohde L et al. Rotinas em cirurgia digestiva. 1ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2005. P. 187-92.

 

Autores: MONTEIRO, A.J.C., SILVA, R.O.L., LOFFREDO, L.M.C.


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