28 de maio de 2015 | Convivendo com o Câncer, InORP Responde, Notícias |

InORP Responde: Cardiotoxicidade

Frequentemente, pacientes que estão sendo tratados no InORP enviam perguntas para os […]

Frequentemente, pacientes que estão sendo tratados no InORP enviam perguntas para os médicos do instituto. As dúvidas são as mais diversas, como pedidos de informação sobre medicamentos, pesquisas recém-divulgadas, efeitos colaterais, etc. Todas são bem-vindas e os nossos profissionais de saúde fazem questão de respondê-las da melhor maneira possível.

Tendo em vista que essas questões podem ajudar outras pessoas, passaremos a divulgar as mais relevantes no site e nas redes sociais do InORP (vejam no final deste texto os endereços para se informar, curtir e compartilhar em suas próprias mídias sociais). Acompanhe:

 

  • DÚVIDA

Por meio do meu plano de saúde encontrei uma matéria sobre medicamentos contra o câncer que podem afetar o coração – como aconteceu com o ex-jogador de basquete Oscar Schmidt, que correu risco de morte no ano passado devido a uma infecção no coração e ficou um mês internado para tratar o problema. Eu estou em tratamento há 1 ano e 5 meses, com quimioterapia, radioterapia, Zometa e imagens com contrastes. Gostaria de receber mais informações sobre o assunto.

 

  • RESPOSTA DO INORP

Cardiotoxicidade em Oncologia pode ter sua origem em três grandes vertentes: medicação cardiotóxica, radioterapia que inclua importante área cardíaca no campo de irradiação e processos infecciosos transportados ao coração pelo manuseio de um pequeno sistema instalado sob a pele (em uma de suas extremidades) que vai (através de um tubo fino) até a entrada do coração em seu lado direito (aurícula direita). Detalharemos cada uma destas vertentes.

 

  • Medicamentos empregados no seu caso:

1 – Pemetrexede: Entre os vários efeitos colaterais apresentados por esta medicação – que não serão discutidos aqui, já que cada paciente recebe material a respeito disponibilizado por farmacêuticas e enfermeiras da área de Oncologia de nosso instituto – aponto (rara) arritmia induzida por esta droga. Não está relatada no grupo das principais drogas relacionadas à cardiotoxicidade.

2 – Bevacizumabe: Hipertensão arterial (frequente), insuficiência cardíaca e isquemia (raras). Está relatada no grupo das principais drogas relacionadas à cardiotoxicidade, principalmente, pela hipertensão que pode causar.

3 – Cisplatina: Taquicardia supraventricular, bradicardia, alterações (eletrocardiograma) no segmento ST-T, bloqueios de ramo, isquemia e hipertensão (felizmente, todos são raros). Está relatada no grupo das principais drogas relacionadas à cardiotoxicidade, mas de rara incidência.

 

4 – Radioterapia: Nenhum campo de irradiação utilizado no paciente atingiu de modo significativo sua área cardíaca. Na última série de RT, onde a costela de gradeado esquerdo foi irradiada, os aparelhos utilizados empregaram mecanismos de segurança para minimizar a dose espalhada para área cardíaca. Esta toxicidade, quando aparece (e não será o caso no paciente, devido aos cuidados tomados), costuma ser tardia.

 

  • Processos infecciosos transportados pelo Porto Cath:

Não é o caso do paciente. O índice de complicações com Porto Cath deve ser monitorado, pois este parâmetro é um dos indicadores de qualidade de um serviço de Oncologia. Com relação a um caso relatado na pergunta, processos infecciosos transportados pelo Porto Cath, geralmente, acontecem por contaminação durante manuseio do dispositivo. Uma medida preventiva para os pacientes não correrem riscos desnecessários é somente permitir o acesso ao sistema de profissionais muito bem treinados, como os da área de Oncologia. Cuidados cardiológicos estão incorporados na formação de oncologistas clínicos. Para pacientes que recebem os medicamentos citados acima não se indica nenhuma medida além de exames clínicos e/ou laboratoriais cuidadosos. Drogas pertencentes ao grupo dos antraciclínicos, por exemplo, merecem monitoramento de função cardíaca a cada três meses com ecocardiograma, eletrocardiograma e mapeamento ventricular. Contudo, o paciente que nos escreveu não está recebendo este grupo de medicamentos.

 

  • Conclusão:

Qualquer tratamento oncológico é um balanço entre benefícios e riscos dos medicamentos empregados. Para cada caso são escolhidos protocolos terapêuticos nos quais os benefícios são superiores aos riscos. Tenho certeza que nossos profissionais levam em conta todos estes pontos.

 

  • Observação importante:

Foi publicada, recentemente, a 1ª Diretriz Brasileira de Cardio-Oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia, sob a supervisão do Grupo de Estudos em Insuficiência Cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia (GEIC/SBC), da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), do Instituto do Coração (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). A diretriz pode ser consultada, gratuitamente, no link:

http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2011/diretriz_cardio_oncologia.pdf

 

Fonte: Aurélio Julião de Castro Monteiro

Médico oncologista – InORP (Instituto Oncológico de Ribeirão Preto)

 

Site: http://inorp.com.br/

Facebook: https://www.facebook.com/institutooncologicoinorp

Twitter: @inorp


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